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21/05/2011 - 10:42

Tratamento do tabagismo

A constatação de que a nicotina, presente em todos os derivados do tabaco, é uma droga psicoativa fez com que a Organização Mundial de Saúde (OMS) incluísse o tabagismo dentro do grupo dos transtornos mentais e de comportamento decorrentes do uso de substâncias psicoativas na Décima Revisão da Classificação Internacional de Doenças (CID-10). A dependência à nicotina obriga os fumantes a se exporem cronicamente à aproximadamente 4.720 substâncias, muitas delas tóxicas, fazendo com que o tabagismo seja um fator causal de aproximadamente 50 doenças, entre elas vários tipos de câncer, doenças do aparelho respiratório e doenças cardiovasculares. Por isso, o tabagismo será o primeiro tema a ser tratado no curso “Perguntas do Corpo e da Mente”, que começa dia 31 de maio, na Casa do Saber. O palestrante será o Dr. Ricardo Meirelles, pneumologista e especialista em tabagismo. A Casa do Saber fica na Av. Epitácio Pessoa, 1.164 – Lagoa –Tel: 2227.2237.

Segundo o Dr. Ricardo, atualmente, o total de mortes decorrentes do tabagismo é de cerca de 5 milhões ao ano, e se tais tendências de expansão forem mantidas, as mortes causadas pelo seu uso alcançarão 10 milhões/ano em 2030. No Brasil, são estimadas cerca de 200 mil mortes/ano em conseqüência do tabagismo. Além dos danosos efeitos para os fumantes, o tabagismo atinge também os não-fumantes que convivem com fumantes em ambientes fechados, os denominados fumantes passivos.

A exposição involuntária à fumaça do tabaco pode acarretar desde rinite, tosse, conjuntivite e exacerbação de asma em curto período, até infarto agudo do miocárdio, câncer de pulmão e doença pulmonar obstrutiva crônica em adultos expostos por longo período.

Já está comprovado que o tabagismo é responsável por 30% das mortes pelos seguintes tipos de câncer: boca, laringe, faringe, esôfago, estômago, fígado, pâncreas, rim, bexiga, colo de útero e leucemia. Sendo que no caso das neoplasias de pulmão, o cigarro está relacionado a 90% das ocorrências.

O tabaco é um carcinógeno que atua tanto como indutor (efeito mutagênico) como promotor (proliferação celular). São identificados em torno de 60 a 70 substâncias cancerígenas na fumaça dos derivados do tabaco. Entre elas podemos citar: hidrocarbonetos aromáticos policíclicos (HAP), arsênico, níquel, cádmio, polônio 210 (substância radioativa), nitrosaminas voláteis, aminas aromáticas. Quatro delas são específicas do tabaco: N-nitrosonor-nicotina (NNN), dimetilnitrosamina-piridilbutanona (NNK 2), N-nitrosoanabasina (NAB), N-nitrosoanabatina (NAT).

Estudos já comprovaram que não existem níveis seguros para o consumo de cigarros, pois quanto maior o consumo de cigarros por dia, maior o risco de adoecer de câncer de pulmão.

Percentual de câncer de pulmão em fumantes, comparado aos não-fumantes.

.[Câncer de Pulmão:01 a 9 cigarros/dia-362%|10 a 19 cigarros/dia-762% |20 a 39 cigarros/dia-1.369% |40 ou mais cigarros/dia-1.772%.Não existem níveis seguros para o consumo de cigarros. *Fonte: Rosemberg, 2002.]

Em um tratamento integral do paciente com câncer, torna-se imperioso oferecer ao paciente a oportunidade para que ele cesse o tabagismo, principal fator de risco de sua doença. É incoerente tratarmos o câncer, seja através de cirurgia, radioterapia e/ou quimioterapia, e deixarmos seu principal fator de risco continuar atuando, perpetuando seus efeitos nocivos no paciente, aumentando suas chances de recidivas, ou mesmo um segundo tumor primário.

Conforme dito anteriormente, o tabagismo é uma doença decorrente da dependência da nicotina. Porém, essa dependência é um processo complexo que envolve três componentes: fisiológico, psicológico e comportamental. O fisiológico se caracteriza pela necessidade orgânica ou física da nicotina que o fumante apresenta. O psicológico, pela necessidade que o fumante tem de utilizar o cigarro com o intuito de aliviar as suas tensões, ou mesmo como um companheiro na solidão.

E o comportamental tem relação com as associações do cigarro com situações corriqueiras da rotina de vida do fumante (após tomar café, após refeições, ao ver televisão).

Por conta disso, o tratamento do tabagismo é feito com base na abordagem cognitivo-comportamental, que visa não só a cessação, mas principalmente a prevenção de recaídas, através da mudança de crenças e comportamentos que levam o indivíduo a fumar. Em casos específicos pode se somar a utilização de um apoio medicamentoso, com o objetivo de reduzir os sintomas de abstinência da nicotina. Atualmente, são comercializados no Brasil os seguintes medicamentos de primeira linha para o tratamento do tabagismo: adesivo transdérmico de nicotina, goma de mascar de nicotina, pastilha de nicotina (que estão incluídos no grupo da terapia de reposição de nicotina), bupropiona e vareniclina.

O tratamento contra o tabagismo deve contar com uma equipe multidisciplinar (médico, psicóloga e nutricionista) com experiência no tema, de maneira individual ou em grupo de apoio, conforme uma avaliação prévia.

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