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06/11/2019 - 09:27

Por que a verdadeira liderança não gira em torno de você


Veja se você reconhece esta situação em algum momento da sua trajetória profissional: Você trabalha duro para crescer e alcançar aquela tão sonhada promoção. Aí se depara com um(a) líder preocupado(a) com o seu próprio sucesso, com o seu ego pra lá de inflado e que toma todos os créditos para si, porque enquanto ele(a) estiver ganhando, é tudo fruto da sua liderança brilhante.

Infelizmente, esse tipo de liderança narcisista continua dando audiência para líderes pobres em habilidades com pessoas e senso de coletividade. A cada sucesso do time, a cada aumento das ações da empresa ou apreço da mídia o(a) faz se sentir super-herói. O que apaga cada dia mais a cultura do aprendizado mútuo e colaboração entre equipe.

Independentemente de qualquer coisa, também praticamos o senso de liderança situacional, aquela que é independe do cargo. Sendo assim, como você se vê como líder?

Você identifica qualquer excesso de amor próprio em suas ações no trabalho? Você define a sua liderança pelos feitos que você acredita ter aportado sozinho(a) para o seu trabalho? Você enxerga similaridade entre as suas habilidades e a de grandes líderes da história? Ou já se pegou pensando: "eu posso resolver isso sozinho(a)!"

Esta reflexão é importante para você perceber se está entre os(as) líderes super-heróis que acreditam ser a causa exclusiva do sucesso da equipe.

Stanley McChrystal, um general militar renomado e agora consultor de negócios, fala justamente sobre isso em seu livro Leaders: Myth and Reality . O comportamento narcisista e heroico está entre os maiores erros de liderança atualmente. Stanley enxerga este padrão com grande frequência tanto no campo de batalha, quanto no meio corporativo e afirma: "Titãs solitários fazem menos diferença do que as pessoas imaginam. Líderes podem ser vitais para mobilizar uma organização, porém são menos essenciais na produção dos resultados. Sua importância está em inspirar pessoas para conquistar o futuro e reafirmar o profundo propósito da missão e cultura".

Diante disso, o que devemos fazer, enquanto líderes, para nos desenvolver, aprender e ser mais relevantes em um mundo bem conectado, mais igualitário e descentralizado hierarquicamente?

Stanley aponta 5 diretrizes que podem nos auxiliar nessa jornada: • Entenda porque a liderança estilo narcisista diminui o seu crescimento. Tome cuidado para que o seu ego não atrapalhe os esforços da sua equipe de escalar. Quando tudo gira ao seu redor, sua equipe acaba desmotivada, desinteressada em inovar ou se adaptar e interage de forma menos colaborativa em termos estratégicos.

• Reformule sua liderança construindo um ecossistema, moldando a sua cultura e operando como uma peça de conexão entre as pessoas para gerar aprendizado, criação de valor e cooperação.

• Aprenda a abrir mão da sensação de poder. A liderança estilo narcisista se origina na insegurança de que se você não der as ordens e tomar todas as decisões, você não será um(a) líder de verdade. O que você realmente precisa, é saber orientar o caminho, saber quando as decisões devem ser tomadas por você e quando você está obstruindo o trabalho de alguém.

• Uma de suas principais atividades como líder é construir a capacidade de seu time, encorajá-lo e identificar o erro para que todos aprendam com ele e não volte a se repetir. Entenda bem, não se trata de achar um culpado para um erro, e sim pontuar uma situação negativa para aprender com ela.

• Orgulhe-se de sua liderança, mas saiba aceitar a influência da sorte e da situação em que você se encontra. Líderes podem fazer uma grande e positiva diferença, mas precisam entender que o seu impacto nunca está garantido, mesmo com todas as suas habilidades e estratégias. Todos precisam continuar aprendendo para serem bons líderes em longo prazo.

Um artigo do Wall Street Journal também revela que os melhores líderes são os mais humildes e honestos. O então chamado "Fator H" destes líderes, proporciona maior união do time, rápido aprendizado e alta performance como um todo.

Que tal fazermos uma autorreflexão sobre como nos tornar aquele(a) líder que vai levar o time para o próximo passo? Lembre-se de que também podemos ser líderes sem um cargo, em casa, entre amigos e principalmente no comando do nosso próprio caminho.

. Por: Silaine Stüpp, especialista em diversidade de gênero, palestrante, profissional de marketing, fundadora e CEO da HerForce.

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